Exploração de Trabalho Infantil
As diversas atividades da OIT constituem uma importante fonte de material para a sua função de editora internacional. Os livros publicados com o selo da OIT contêm análises das grandes tendências econômicas e sociais, posições da OIT em questões relacionadas ao mundo do trabalho, obras de referência, guias técnicos, monografias, e estudos, coletâneas de recomendações práticas e manuais de formação e de educação do trabalhador.
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http://www.ilo.org/public/english/bureau/inf/wdacl/portuguese.htm
OBS: Dados reais fornecidos pela OIT.( Veja na íntegra.)
Caroline.
alcaraz disse,
Setembro 4, 2007 às 4:36 pm
Caroline,
Para promover uma reflexão, antes do estudo, meu professor de filosofia, propôs a leitura do provocante texto de Jonathan Swift “Uma Proposta Modesta”, escrito que propunha a solução definitiva para os graves problemas da pobreza na Irlanda do começo do século XVIII.
Swift sugeriu, em síntese, que parte significativa dos filhos dos pobres fosse criada para o abate comercial no final do primeiro ano de vida.
Argumentos: a tenra carne de criança é deliciosa, a pele de criança pode ser usada na confecção de luvas para senhoras e botas para cavalheiros, a medida traria orgulho para os pais procriadores, com a redução do estoque de machos pobres poder-se-ia ter uma procriação mais eugênica, pessoas de posses poderiam deliciar-se com pratos especiais de carne de criança (fato que favoreceria o surgimento de uma nova arte culinária), poupar-se-ia o estoque de carneiros pois o ingresso de carne de criança no mercado possibilitaria equilibrar a população dos rebanhos ovinos.
Isso nos provocou um sentimento de desconforto e indignação.
A provocação de Swift não era apenas uma brincadeira de um gênio louco. O escritor procurou escandalizar. A sátira de Swift só seria aceita sem qualquer indignação numa sociedade que levasse às últimas conseqüências idéias de relativismo quanto à verdade. Em tal sociedade, criar crianças para o corte e conseqüente produção de carne para a mesa de pessoas de posses seria tão verdadeiro quanto uma proposta alternativa, a de criar condições para que os filhos dos pobres sobrevivessem de modo digno e com uma expectativa de longa e digna existência. Para um relativista radical as duas propostas seriam “verdadeiras”, pois o que importa é a verdade de cada um. Contudo não aprovamos a “modesta proposta” do escritor irlandês como expressão de verdade.
Uma curiosidade. Ao reler o texto do criador de Gulliver, o professor fez um cálculo rápido. Se “Uma Proposta Modesta” fosse atualizada para aplicação no Brasil de hoje, teríamos um rebanho de quatorze milhões de crianças pobres em condições de serem aproveitadas no comércio de carne e pele imaginado por Swift. Além das vantagens de eliminação da pobreza sugeridas pelo texto original, o plano do escritor irlandês traria uma economia imensa para o país: o orçamento do Ministério da Educação seria aliviado das despesas com quatorze milhões de crianças!
Possivelmente ficamos indignados com qualquer plano parecido com a “Proposta” porque compartilhamos alguns princípios morais que têm validade universal. Criar crianças para o caldeirão é uma maldade de bruxa (lembram-se da história de João e Maria?), não uma “verdade” que dependa de ponto de vista ou tradição cultural.
Como vocês devem estar reparando, estou falando de “verdade” no campo da moral, pois é nele que o relativismo se manifesta. Isso é interessante. Ao responder perguntas sobre a verdade, as pessoas geralmente escolhem como exemplo situações que implicam em julgamento ético. Ninguém oferece exemplos no campo da sólida experiência empírica do dia-a-dia. Aparentemente o relativismo de nossa cultura não coleciona duvidas sobre cores, barulhos e cheiros. Parece entender que o que experimentamos pelos sentidos é verdade. Nesse caso não se coloca a afirmação de que a verdade é a verdade de cada um. Ou será que alguém coloca em dúvida a convicção baseada em experiência de que a água molha?
No livro Educação e Emancipação, Adorno, editado no Brasil pela Paz e Terra em 1995. Num dos capítulos da obra, o filósofo conversa sobre a questão “Educação e Barbárie”. Cito a seguir alguns trechos do mencionado capítulo:
Entendo por barbárie algo muito simples, ou seja, que , estando na civilização do mais alto desenvolvimento tecnológico, as pessoas se encontram atrasadas de um modo peculiarmente disforme em relação a sua própria civilização – e não apenas por não terem em sua arrasadora maioria experimentado a formação nos termos correspondentes ao conceito de civilização, mas também por se encontrarem tomadas por uma agressividade primitiva, um ódio primitivo ou, na terminologia culta, um impulso de destruição, que contribui para aumentar mais o perigo de que toda esta civilização venha a explodir, aliás uma tendência imanente que a caracteriza. Considero tão urgente impedir isto que eu reordenaria todos os outros objetivos educacionais por esta prioridade. (p. 155).
Eu começaria dizendo algo terrivelmente simples: que a tentativa de superar a barbárie é decisiva para a sobrevivência da humanidade. (p.156)
… porém entendo com sendo fatores objetivos neste caso os momentos sociais que, independentemente da alma individual dos homens singulares, geram algo como a barbárie. (p.156)
A forma de que a ameaçadora barbárie se reveste atualmente é a de, em nome da autoridade, em nome de poderes estabelecidos, praticam-se precisamente atos que anunciam, conforme sua própria configuração, a deformidade, o impulso destrutivo e a essência mutilada da maioria das pessoas. (p. 159)
Isto é, desacostumar as pessoas de se darem cotoveladas. Cotoveladas constituem sem dúvida uma expressão de barbárie. (p. 162)
Adorno entende que uma das principais (talvez a principal) finalidades da educação é a de formar gente que evite a barbárie no mundo em que vivemos. Para sustentar essa posição não é possível partir de um entendimento de que verdades ou princípios morais universais são impossíveis.
(Tradução: Jarbas Novelino Barato)
Noemi Alcaraz
sara disse,
Setembro 15, 2007 às 1:28 am
Adorei o blog,muuuuito interessante!!!parabéns!!!!
Adorei também os vídeos!!!!